Campo Benfeito escrito por Edite Gil

Desce-se para a aldeia.
Esquece-se o nada do tom da sociedade.
Toca-nos a macieza agreste do ar puro.
Entre a sinceridade de um sorriso
no olhar das suas gentes
e o vergar com o fardo de uma vida grisalha
invade-nos um império de sentimentos…
Abandonamo-nos, e deixamo-nos embalar…
Deixamo-nos embriagar de vida…
Espraiamos o olhar no horizonte
onde o céu e a terra se beijam,
languidamente…                         
Ai o paladar das cores…
Ai o chilreio canoro dos grilos…
Bailarinos galarispos ao sabor da brisa,
onde o azul é mais celeste e o verde é mais casto,
onde o céu se deixa bordar
pela renda dos cumes das montanhas…
Onde o ribeiro acorda cantando, encantando,
brincando com pedras, beijando margens,
saciando a sede por onde passa
deixando-se inebriar
pelo sussurro de um carvalho
pelo bulício da sua folhagem…
Quem sente, entende
que Campo Benfeito não se entende, sente-se!

 Edite Gil